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Machado

Entrei num estande de aeroporto que vende livros a preço de banana. 1 por 3,00 reais e 4 por 10,00 reais. Fiquei em estado de choque quando vi ali 4 obras de Machado de Assis. Que ousadia! Que absurdo! Que falta de respeito! Querer vender um gênio desses por 3,00 reais! Onde já se viu? Um daqueles livros eu não tinha, fiquei na dúvida se comprava ou não. Fiquei com muito medo de ofendê-lo, mas ao mesmo tempo tentada. Resolvi comprar quando me dei conta de que mesmo que fosse  vivo, um escritor como Machado de Assis provavelmente não tinha a ambição de ficar rico, mas de ser lido. Acho que o que ele queria mesmo era ser inesquecível e imortal. Comprei, acho que ele não ficou decepcionado, mas feliz por ser devorado durante a viagem. Porque é isso que faço com um autor como ele, devoro, não degusto. Talvez algumas pessoas achem indigesto engolir um Machado sem mastigar, eu não.

O vôo do Raí

Hoje peguei o mesmo vôo que todo o time do São Paulo (eu não conhecia ninguém). Eis que no mesmo vôo entra o Raí (que eu sei mto bem quem é). Alguns pensariam em fotos e autógrafos, eu só pensava que se aquele avião caísse ninguém ia falar de mim. Nem minha família ia ligar, iam todos chorar a morte do Raí e dos outros jogadores. Não queria morrer anônima. Cruz credo.

10%

Não é que Deus precise de 10% do meu salário, mas se eu me sinto parte de uma determinada comunidade dentro da religião penso que devo participar dela em todos os sentidos. Seja com meus talentos servindo voluntariamente, seja com a parte financeira que me cabe. Existe uma manutenção de um templo físico. Eu gosto de usar um banheiro limpo, de sentar numa cadeira confortável pra ouvir um sermão de uma hora, eu gosto de ouvir um som limpo e agradável, as criancas gostam de desenhar com lápis de colorir e etc. Ninguém monitora minha conta pra saber se dou 10%. No mês que não posso, não há culpa. Não me sinto cobrada por homem algum, que dirá por Deus. Me sinto parte, participo.

Perdão e menos conflitos

Evitaríamos tantos conflitos se as pessoas entendessem a importância que um pedido de perdão tem. Vencer o orgulho, reconhecer o próprio erro e se desculpar ao invés de se justificar. Não é fácil, mas vale a pena.

A construção da nossa imagem

É sem querer que a gente constrói a nossa própria imagem. Não está nada planejado, pelo menos quando você não é uma figura pública. A vida vai te dando, te tirando e você vai reagindo. E quando você vê, sua imagem de fortaleza independente está construída. Foi desde sempre que você nem escolha teve de ser cuidada. Depois também quando pôde escolher, escolheu errado. Se acostumou a cuidar, se acostumou a fazer e não esperar. Por isso também cometeu e ainda comete muitos erros. Muitas id eias fervilhando, muitas coisas pra conquistar que só o estudo e o trabalho proporcionam em casos onde não se é uma herdeira com direito a ser folgada. Você até não ligaria de ser "bela, recatada e do lar", mas isso não te foi permitido. Você se desdobra, calibra por conta própria os pneus do carro que você paga as parcelas com seu salário, recém-saída da aula de ballet, vestindo collant e meia-calça com as unhas feitas. Por que você quer jogar na cara de todos que é uma mulher independente? Nã...

Aluno artista

Sábado eu assistia um grupo de ex-alunos apresentando uma peça de teatro na escola. Eu observava um deles que sempre foi mais sério e que fazia um papel de destaque. Percebi o quanto ele estava desinibido e à vontade em cena. Era como se ele encontrasse no palco seu habitat natural. Fiquei com vontade de procurá-lo e dizer a ele o quanto ele tem talento. Ao mesmo tempo pensei que isso poderia ser óbvio, que seria uma bobeira dar a ele um feedback desses. Depois pensei que dev eria falar, mas tive medo da responsabilidade de incentivá-lo a seguir uma carreira na arte. Já até imaginei a cena dele daqui uns anos me culpando por sua pobreza financeira. Por fim, resolvi procurá-lo, afinal de contas este é o papel do professor. Reconhecer talentos, apontar caminhos e estimular. Tivemos uma breve, mas linda conversa. Pra ele não era óbvio e ao mesmo tempo ele estava curioso por saber que caminhos poderia seguir. O professor tem o poder de encher balões de sonhos, mas também de estourá-los. É ...

Castanha de caju

Hoje eu queria mesmo era comer castanha de caju. Poderia ir ao mercado comprar, mas ela teria só gosto de castanha. Eu queria comer castanha de caju roubada do esconderijo nada secreto do meu avô. Ele achava que escondia, sabia que eu comia e fingia que não via. Essa tinha gosto de amor. E crime.