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Não fale com estranhos

Eu preciso conversar menos por aí. Parei o carro no centro de Curitiba em um estacionamento perto do teatro Guaíra. Foi a segunda vez que deixei meu carro lá esse ano. O rapaz: "Você já parou seu carro aqui, né?". Aí eu falei: "Já, sim. Uma vez". Então ele disse: "Eu lembro de você, você é professora. Veio assistir um espetáculo de dança daquela vez. Você é do Rio de Janeiro". Mamãe me mandou não falar com estranhos. Eu faço tudo errado. Ainda por cima agora ele sabe meu nome, as matérias que eu leciono, que eu não gosto de balada porque eu gosto de sentar pra conversar e que eu sou de Áries.

Preparando aula

Eu preparando aula tenho sempre duas opções: 1) Dar aula teórica, em sala direto, prova teórica, fim... Sem grandes aborrecimentos. 2) Isso aqui vai dar o maior trabalho, vou ter que baixar video, montar data show, levar lá pra baixo pra ensaiar, baixar as músicas, carregar a caixa de som pra cima e pra baixo, vai dar o maior brigueiro pra trabalhar em grupo, vou ficar sem sono pra ter ideias, ficar estressada horrores e virar um corpo imprestável por algumas semanas, olheira s chanel... Vou me lascar, mas no final a gente vai se divertir muito. Adivinha qual eu escolho sempre?

Cambalhotas no culto

As pessoas estão depressivas, pensando em suicídio, tentando se livrar de vícios, sem dinheiro pra comprar medicamentos, diagnosticadas com doenças incuráveis, acidentadas, vivendo lutos irreversíveis, famintas, desempregadas há meses, solitárias e desorientadas... E tem igrejas que estão discutindo se é permitido virar cambalhota no culto.

Gambá albino

Nessa semana estava muito cansada, gripada, insuportavelmente triste e estressada na TPM. Percebi que estava no auge de ser uma carcaça imprestável, quando dirigindo freei para uma sacola plástica que voava próxima ao asfalto, achando que era um gambá albino.

Companheiros

Eu sou muito grata a Deus pelos amigos que tenho companheiros de fé, mas também me sinto extremamente grata pelos vários amigos que tenho que não compartilham da mesma fé que eu. Estes me amam independente da minha religião. Porque eu admito que estamos cada vez mais insuportáveis e mais distantes do objetivo de Jesus que era que fôssemos conhecidos pelo nosso amor uns pelos outros. Ao invés de amar, esbanjamos julgamentos, derramamos ódio em nossas falas e nossas atitudes demons tram o quanto desacreditamos no poder do perdão e da graça. Mais uma vez desunidos e divididos entre nós mesmos, sempre achando que temos a verdade e somos os certos. Altivos, orgulhosos e melhores que todo mundo. Sorte que o amor vence todas as coisas e nada me comove mais do que o amor que estes amigos têm por mim, porque assim como Deus, eles conseguem me enxergar sem o rótulo da religião. Amo vocês.

Então...

Fui duas vezes num hortifruti que tem no caminho do ballet. O rapaz que trabalha lá já sabe minha profissão, onde eu trabalho, quais são meus dias de folga, que eu acordei doente, qual remédio eu tô tomando e de onde é minha família... Será que eu falo muito?