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Amnésia Natalina

Todo ano eu sofro de algo chamado amnésia natalina. Até novembro eu me recordo claramente do ódio que passei no ano anterior pra ver o espetáculo de Natal do Palácio Avenida. As cotoveladas, a chuva, os guarda-chuvas furando os olhos, a completa falta de visibilidade, a fome, a vontade de fazer xixi, a falta de lugar pra estacionar, a dor nas costas e nos pés. Aí chega o mês de dezembro lá vou eu para aquela merda, feliz da vida. Só falta me vestir de rena.

Funk

Me perguntaram como eu não gosto de funk, se eu sou do Rio de Janeiro. Respondi: "Foi por isso que eu me mudei, amada".

Black Friday

Analisando meu orçamento, vi q só vou poder comprar esmalte na Black Friday.

Trouxas

Em Curitiba é assim, você acorda, vê o sol e acredita no seu potencial. Enche a máquina de roupa, coloca as suculentas pra tomarem um banho de sol, estende as roupas no varal externo e sai pra trabalhar. De manhã tudo bem, na hora do almoço a paz é roubada do seu coração por uma nuvem cinza e no fim do dia chove até granizo. Com sua fé despedaçada, suas plantas afogadas e sua roupa fedendo espalhada pelo chão você recolhe tudo e recomeça. Somos persistentes, ou qual seria um sinônimo para isso? TROUXAS.

Faço os assuntos renderem

Olha, não tinha computador disponível no colégio pra eu lançar minhas notas. Então eu estava sentada no sofá aguardando. Enquanto isso, puxaram assunto comigo (o Robson e depois a Maria Luísa), eu só estava respondendo o que eles me perguntaram. Daí já vem a Vanice arrumar um computador pra eu parar de conversar e trabalhar. Eu sento no computador. Logo chega a Evelyn pra puxar um assunto comigo,  que rende. O Benedito que estava no computador ao lado começa a falar comigo assim que a Evelyn sai. Eu coloco o fone de ouvidos e lá vem a Eny. Gente, a culpa não é minha. EU NÃO PUXO OS ASSUNTOS, EU SÓ FAÇO ELES RENDEREM. Peço ao governo que me deixe fazer hora atividade em casa pela paz dos meus colegas. Sou a perturbação do meu local de trabalho.

Sorvete seco

Algumas pessoas dizem que a minha geração custa a amadurecer, que queremos prolongar a adolescência. Talvez esta seja a realidade de algumas pessoas na faixa dos 30. O que eu realmente acho é que a geração dos nossos pais é que se tornou adulta muito rápido. Minha mãe teve sua caçulinha (no caso, eu) aos 28 anos. Eu não me lembro de ver a minha mãe tomar um Yakult que ela tenha comprado pra ela, c omer um pacote de Cheetos ou sentar pra jogar vídeo-game sozinha. Eu pensava que quando tivesse 30 anos eu seria adulta como ela, não ia querer comprar um pacote de Fini de dentadura pra mim. MENTIRA! É possível trabalhar, morar sozinha, pagar as contas, dirigir, ter um celular pós-pago (que é o auge da vida adulta) e ainda comprar um pacote de M&M só pra você, sem ter criança em casa. Semana passada minha mãe comprou esse "sorvete seco" da foto, ela disse "Quando eu era criança podia comer quantos quisesse sem me preocupar com a saúde, mas não tinha dinheiro. Agora posso ...

Cruz credo

Esses alunos de hoje em dia não são como antes. Ontem me perguntaram: "Prof, quinta tem aula?" Eu disse: "Não, amado, amanhã é feriado da Proclamação da República". Daí eles: "Que saco! Mas na sexta tem aula, né?" Eu respondi que não porque é recesso. Então eles ficaram reclamando. Um deles soltou um enorme e decepcionadamente honesto: "Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah". Cruz credo, fosse eu na minha época tava dando graças a Deus. Vai entender...