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Super Mário

Lá venho eu, tombando de Curitiba até o Rio de Janeiro em uma viagem de no mínimo 13 horas. Quando estava quase chegando, começa um engarrafamento na avenida Brasil. Me vi sem escolha, tive que ir fazer xixi no banheiro do ônibus. O ônibus tinha dois andares, quando fui descer a escada, meu tênis escorregou e eu desci num solavanco só. Com total ausência de dignidade, no meu retorno para a parte de cima do ônibus, um senhor gentilmente me aborda "Você escorregou, moça?". Eu disse "Sim, igual ao Super Mario pelo cano". Um Feliz Natal a todos os humilhados!

Momentos importantes

Lembro que em casa, quando eu era criança, muitas vezes mamãe cismava que não tinha roupa pra ir a um casamento ou aniversário. Aí ela simplesmente não ia, só que ela, geminiana, decidia isso na hora. (Ela vai me matar, mas quem conhece sabe). Lembro também quantas vezes eu liguei pra minha amiga Flávia dizendo: "Amiga, vê com a sua mãe se vcs podem me dar carona, pq mamãe não vai". Eu prometi a mim mesma que estaria presente nos momentos importantes para pessoas especiais. Afinal o mais importante da vida são as pessoas. Mesmo quando eu não estivesse de bom humor, nem muito a fim ou quando eu não tivesse roupa. Dessa vez foram meio que as 3 coisas ao mesmo tempo. Quem tem amigos tem tudo.

Parcelar

Nessa época qualquer presente que eu vou comprar e o vendedor me pergunta se eu vou pagar no débito, eu já respondo que eu tenho tanto presente pra comprar que eu gostaria de parcelar até a Páscoa, por favor.  

Nunca tem dinheiro

Eu trabalhei em uma agência missionária como voluntária por vários anos. Lá a gente nunca tinha dinheiro pra nada. Aluguel era difícil pagar, às vezes eu tirava do meu pra pagar o da missão. Algumas vezes comíamos só arroz e feijão, outras só uma farinha tipo um angú. Ao mesmo tempo a falta de grana não nos impedia de nada. Fazíamos tudo o que planejávamos. Muitas vezes coisas lindas e viagens praticamente impossíveis. Agora trabalhando em escola pública, descobri que também nunca tem dinheiro pra nada. Lá a gente também faz coisas lindas sem recurso nenhum. Só dá ódio de saber que a grana existe e não chega. Acho que o problema sou eu. Todo lugar que eu trabalho é pobre. Mas na missão eu achava menos sofrido.  

Pó de pirlimpimpim

Quando uma coisa dá defeito aqui em casa, eu fico testando todo dia pra ver se o treco se consertou sozinho, até eu ter dinheiro pra arrumar. Vai que de repente passou um duende com um pó de pirlimpimpim e arrumou...  

Não gosta de música

Eis que eu digo aos meus alunos que pra fazer a atividade precisam escolher uma música da qual eles gostem. Então um aluno me diz que NÃO GOSTA DE MÚSICA. Ele me pergunta o que ele faz então. Eu disse a ele pra me devolver a folha e não fazer nada, pq eu nunca imaginei que existisse uma pessoa que não gostasse de música. Minha vontade era dizer a ele pra nascer de novo porque ele tá vivendo errado. Fiquei sem chão.  

Escravidão

Esses dias estava assistindo ao programa Papo de Segunda no GNT, onde ia acontecer uma entrevista com o Laurentino Gomes sobre seu novo livro sobre Escravidão. Os apresentadores do programa comentavam sobre a baixa abordagem e superficialidade com a qual o tema é tratado nas escolas brasileiras. Essa reclamação deles no meu caso não é realidade. O tema foi amplamente abordado nas escolas que estudei, tive excelentes professores que abordaram o assunto da escravidão com profun didade. Talvez porque eu tenha estudado o Ensino Fundamental e Médio na cidade de Campos/RJ. Uma cidade que era grande produtora de cana de açúcar, cheia de engenhos, casas grandes e senzalas. Tive excelentes professores que não deixaram o assunto passar batido. Fiquei curiosa de como os outros estados abordam essa parte da história, porque as aulas que tive me provocavam um grande mal estar (necessário, devido à profundidade das abordagens).