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Jeep Renegade

Hoje eu paguei a última prestação das 48 que havia feito para financiar meu carro. Foram 4 anos pra terminar de pagar "Alanis", que vem a ser um Fiesta Hatch vermelho 2012. Substituta de "Katy", um Uno verde 1991. No meio dessa loucura de Corona Vírus, quando não se sabe se iremos viver ou morrer, dentre as paranoias de estar ou não contaminado, assintomático ou à beira de um colapso respiratório, tenho inúmeros devaneios. Um deles com relação à crise financeira que enfrentaremos. Vi que o banco aumentou meu crédito, penso que esse seria um excelente momento para realizar meus desejos mais extravagantes. Afinal, a morte está ali no corrimão da escada e ninguém cobrará divida de defunto, eu não tenho herdeiros. Vou meter o louco, comprar meu Jeep Renegade, ou um carro de 100 mil reais e entregar a dívida pra Deus! Porque o importante é que A ECONOMIA NÃO PODE PARAR!!!

449 páginas em 40 dias

Então eu li o primeiro livro na quarentena. Nele estava escrito que o antropólogo Darcy Ribeiro escreveu as 449 páginas de "O povo brasileiro" em 40 dias. O QUE TEREMOS FEITO EM 40 DIAS? Terei ganhado um tom amarelado no meu bronzeado.

Amada?

Me dei conta hoje de que tem gente que não se dá conta do que está acontecendo, quando uma aluna do oitavo ano me perguntou quanto tempo vai durar essa GREVE... Eu disse: "Meu anjo, em que mundo você vive? Isso não é greve". E então ela me perguntou quando voltam as aulas... Eu disse: "Amada?"

Gatos e Doguinhos

Eu nunca gostei de gatos, nunca maltratei nenhum, mas também não crio afeto. As pessoas falam que como eu moro sozinha e passo muito tempo fora, um gato seria o melhor animal pra mim. Já que ele é independente e não sofreria tanto com a minha ausência como um cachorro. Com a minha grande implicância com felinos, nunca acatei a ideia. Se não é pra ter um cachorro, prefiro não ter bicho nenhum. Não conseguia entender e nem explicar pra ninguém essa minha resistência com gatos. No fim das contas eu descobri. Eu não gosto de bichos independentes, eu quero que o bichinho dependa de mim. Que ele me espere, que ele sofra de saudade, que ele fique desorientado quando eu estiver ausente, que ele precise da minha atenção, que fique feliz quando eu chego, que pule em cima de mim, que coma meu chinelo porque tem o meu chulé e ele está entediado. Enfim, eu gosto de bicho afetuoso. Isso explica muita coisa.

Ovelhinha

Ontem enquanto eu caminhava em uma rua cheia de lama, lembrei de um vídeo que assisti no Colégio quando era criança. Tinha um rebanho de ovelhas (tipo fantoche) e uma desgarrada rolava pelo barranco. Deu algum problema na fita de vídeo e a ovelha rolava e "desrolava" pelo barranco, sem parar e eu ria (a professora não achava muita graça pq a fita estava emperrada). Por fim a fita continuou passando e a ovelhinha ficou lá estribuchada, toda sujinha de lama. Até que o pastor de ixou o rebanho das 99 ovelhas, foi atrás da ovelinha e cuidou dela até que ela ficasse serelepe de novo. Hoje eu li essa frase no facebook: "VIVER É UM RASGAR-SE E REMENDAR-SE". (Guimarães Rosa). Que pra mim pode ser rolar e "desrolar" pelo barranco, repetidas vezes. Às vezes a gente precisa de ajuda pra se remendar.  

Valium

Eu nunca tinha experimentado um sedativo, ele tem efeito calmante e age rapidamente contra a ansiedade. Quando dei entrada na emergência do Hospital da XV eu nem sabia que o que eu sentia era uma emergência. Eu tinha dificuldade para respirar, não conseguia parar de chorar, meu coração estava acelerado e eu sentia que aquilo não iria passar. A médica me explicou que me daria um "Valium", e que ia me deixar em observação por alguns momentos. Eu tomei a medicação que a enfermeira me deu e me deitei na desconfortável cama da enfermaria. Dormi pesado, por cerca de meia hora. A doutora me acordou e perguntou como eu me sentia... EU NÃO SENTIA NADA. Nem medo, nem angústia, nem tristeza, nem alegria, nem nada. O que eu sentia era uma completa indiferença, como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa sem sentir nada. Pedir demissão, terminar um relacionamento, romper um contrato, dar um tapa na cara de alguém, qualquer coisa! O único problema é que estava tonta demais pra diri...

Pertencimento

Sempre tive meu trabalho como uma missão, tentando fazer da minha aula o melhor momento do dia do meu aluno. Tentando com afeto e senso de humor transmitir um pouco de alegria. Mas na sexta-feira não consegui. Teve "bom dia", teve música, teve arte, mas não teve alegria, só choro. Eu mal conseguia respirar, tamanha a minha sensação de solidão e falta de pertencimento. Como se a minha presença ali fosse totalmente desnecessária. Eu precisava ir à emergência, dirigi até onde co nsegui. Peguei um uber, cheguei ao hospital e dei com a cara na porta, porque este não me atendia mais. Com muita falta de ar fui andando até outro, mais ou menos umas 7 quadras. Outro que também não me atendia mais, havia mudado tudo naquele dia. Caçando as minhas carteirinhas, descobri uma que me atendia bem ali. Disse à médica que sentia uma angústia profunda, o peito acelerado e que achava que estava infeliz. Também disse que fiquei na dúvida se o que eu sentia era uma emergência, ela ...