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Delírios de quarentena

Tentando preencher meu tempo ocioso na quarentena, já que estou com a minha mãe em um pequeno apartamento de dois quartos, decidi tornar meu dia proveitoso fazendo cursos online. Já fiz três de desenho e o pessoal da faculdade onde faço um curso de pós-graduação, disponibilizou gratuitamente cursos de extensão de 40 horas. Para não perder a oportunidade resolvi me inscrever em algum com urgência. Sem nem ler muito sobre o que se tratava, em um delírio causado pela quarentena (dias sem ver a rua e sem ver gente diferenciada), me julgando muito inteligente, me inscrevi em um curso que eu não faço a menor ideia do que seja: A NEUROPSICOPEDAGOGIA E A O PROCESSO DE APRENDIZAGEM... É o que que é isso, meu Deus?

Cada um meta-se com seu nariz

A gente estuda tanto sobre as áreas de influência da sociedade (principalmente dentro da Jocum - família, educação, religião, política, mídia, artes e esportes, economia). Seria mesmo ótimo que cada um se metesse com seu nariz. O economista na economia, o político na política, o professor na educação e o PASTOR NA IGREJA! Mas aí o pastor quer ser político, o professor quer ser economista, o político quer ser pastor e o economista quer se meter na educação. Aí vira um barraco só.

Quarentena, cores e angústia

7° dia: achava que 36 cores de lápis de cor eram suficientes pra pintar minhas angústias, não são. Depois de ontem a noite vou precisar de mais. 6° dia: Sinto uma saudade estranha de ver notícias de arrastão na praia de Ipanema no RJTV ou de qq outra coisa 5º dia: Antes das 7 da manhã, começo a brigar com as formigas que furam o plástico filme do melão para comê-lo, querendo arruinar a minha chance de ser fitness. 4º dia:  Se antes estava difícil arrumar um namorado, agora está impossível. 3º dia:  começo a gostar das ligações de telemarketing. 2º dia:    já limpei a lixeira de inox do banheiro com Bombril e sapólio cremoso pra ficar brilhando. Complicado. Alguém me passa aquela receita pra deixar pano de prato branquinho?

Jeep Renegade

Hoje eu paguei a última prestação das 48 que havia feito para financiar meu carro. Foram 4 anos pra terminar de pagar "Alanis", que vem a ser um Fiesta Hatch vermelho 2012. Substituta de "Katy", um Uno verde 1991. No meio dessa loucura de Corona Vírus, quando não se sabe se iremos viver ou morrer, dentre as paranoias de estar ou não contaminado, assintomático ou à beira de um colapso respiratório, tenho inúmeros devaneios. Um deles com relação à crise financeira que enfrentaremos. Vi que o banco aumentou meu crédito, penso que esse seria um excelente momento para realizar meus desejos mais extravagantes. Afinal, a morte está ali no corrimão da escada e ninguém cobrará divida de defunto, eu não tenho herdeiros. Vou meter o louco, comprar meu Jeep Renegade, ou um carro de 100 mil reais e entregar a dívida pra Deus! Porque o importante é que A ECONOMIA NÃO PODE PARAR!!!

449 páginas em 40 dias

Então eu li o primeiro livro na quarentena. Nele estava escrito que o antropólogo Darcy Ribeiro escreveu as 449 páginas de "O povo brasileiro" em 40 dias. O QUE TEREMOS FEITO EM 40 DIAS? Terei ganhado um tom amarelado no meu bronzeado.

Amada?

Me dei conta hoje de que tem gente que não se dá conta do que está acontecendo, quando uma aluna do oitavo ano me perguntou quanto tempo vai durar essa GREVE... Eu disse: "Meu anjo, em que mundo você vive? Isso não é greve". E então ela me perguntou quando voltam as aulas... Eu disse: "Amada?"

Gatos e Doguinhos

Eu nunca gostei de gatos, nunca maltratei nenhum, mas também não crio afeto. As pessoas falam que como eu moro sozinha e passo muito tempo fora, um gato seria o melhor animal pra mim. Já que ele é independente e não sofreria tanto com a minha ausência como um cachorro. Com a minha grande implicância com felinos, nunca acatei a ideia. Se não é pra ter um cachorro, prefiro não ter bicho nenhum. Não conseguia entender e nem explicar pra ninguém essa minha resistência com gatos. No fim das contas eu descobri. Eu não gosto de bichos independentes, eu quero que o bichinho dependa de mim. Que ele me espere, que ele sofra de saudade, que ele fique desorientado quando eu estiver ausente, que ele precise da minha atenção, que fique feliz quando eu chego, que pule em cima de mim, que coma meu chinelo porque tem o meu chulé e ele está entediado. Enfim, eu gosto de bicho afetuoso. Isso explica muita coisa.