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Tempos difíceis

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Conversando no trabalho ontem, uma amiga contava de uma de suas alegrias na infância. Aos domingos, ela ia à missa com sua família e uma vez por mês, geralmente próximo ao dia do pagamento, o pai dela passava em uma venda da cidade e comprava um Chocomilk para cada um de seus cinco filhos. Este era um dia especial para eles.

Ao ouví-la contando esta história, pensei na minha mãe, que também teve uma infância difícil. Não é uma geração muito distante.
Minha mãe me contou sobre o aniversário do irmão dela onde minha vó fez doce de abóbora e enrolou, fez um bolo e comprou alguns pirulitos. Esse foi um dia especial. Ela contou também que aos domingos minha avó assava um bolo para eles e ela se recorda do cheiro que preenchia a casa.

Os tempos eram difíceis, as pequenas coisas tinham um grande valor e até um outro sabor.

A minha infância já não foi tão difícil. Ouvindo as histórias delas parece até que eu era rica. Ganhei ovos de Páscoa, tomei muito toddynho e tive algumas festas de aniversário. Já os meus sobrinhos, não tem uma vez que eu saia com eles que eles não ganhem pelo menos um chiclete.

É difícil até de se dar conta de que ainda existem famílias que vivem hoje em dia uma realidade parecida com a da infância da minha mãe e da minha amiga. Crianças que passam vontade de muita coisa e pais que sofrem muito mais que elas por não poderem proporcionar estas pequenas alegrias.

As falas da minha mãe e da minha amiga tinham uma coisa em comum, o amor dos pais em proporcionar uma pequena alegria em meio à tanta escassez.

Quem pode proporcionar uma alegriazinha dessas a um sobrinho, aluno, afilhado, filho de amigo ou até a um desconhecido, não deixe de fazer. Pode até parecer pouco, mas para aquela criança pode ser muito.

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